O dia 27 de maio de 2020 deve marcar o início de uma nova era espacial com o envio por parte da empresa SpaceX de dois astronautas da Nasa ao espaço, uma capacidade que durante décadas simbolizou o poder de alguns países e da qual os Estados Unidos permaneceram privados nos últimos nove anos.

Se o tempo permitir, às 16h33 (17h33 de Brasília), da plataforma de lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, de onde decolaram Neil Armstrong e seus companheiros da missão Apollo 11, um foguete SpaceX com a nova cápsula Crew Dragon acoplada decolará rumo à Estação Espacial Internacional (ISS).

Bob Behnken e Doug Hurley, os dois homens escolhidos pela Nasa para a missão de demonstração, permaneceram em quarentena durante duas semanas.

Fundada em 2002 por Elon Musk, um empresário obcecado com Marte e com a determinação de mudar as regras do jogo da indústria aeroespacial, a Space Exploration Technologies Corp. conquistou a confiança da maior agência espacial do mundo.

A SpaceX se tornou em 2012 a primeira empresa privada a acoplar uma cápsula de carga à ISS. Dois anos depois, a Nasa pediu que a empresa adaptasse a cápsula Crew Dragon para poder transportar astronautas.

“A SpaceX não estaria aqui sem a Nasa”, disse Musk no ano passado, após um teste geral da viagem à ISS sem tripulação.

A agência espacial pagou mais de 3 bilhões de dólares à SpaceX para projetar, construir, testar e operar sua cápsula e fazer seis viagens espaciais de ida e volta.

O desenvolvimento enfrentou atrasos, explosões, problemas de paraquedas, mas a SpaceX venceu a gigante Boeing, que também recebeu um pagamento da Nasa para construir uma cápsula, a Starliner, que ainda não está pronta.

O investimento, decidido durante as presidências de George W. Bush (envio de carga) e Barack Obama (envio de astronautas), é considerado frutífero em comparação com as dezenas de bilhões de dólares gastos nos sistemas anteriores desenvolvidos pela Nasa.

“Alguns afirmaram que é inviável, ou imprudente, trabalhar com o setor privado desta maneira. Não concordo”, disse Obama em 2010.

A decisão do ex-presidente enfrentou a hostilidade do Congresso e da Nasa.

Dez anos depois, outro presidente, Donald Trump, comparecerá ao Centro Kennedy para o lançamento. O republicano tenta reafirmar o domínio americano do espaço e ordenou o retorno à Lua em 2024.

Se a NASA conseguir confiar ao setor privado as missões mais próximas da Terra, dentro da “órbita baixa”, isto permitiria destinar orçamento para as missões mais distantes.

“Imaginamos um futuro, no qual a órbita baixa da Terra estará completamente privatizada, onde a Nasa será apenas um cliente entre outros”, disse Jim Bridenstine, administrador da agência.

Em caso contrário, “nunca iremos à Lua, nem a Marte”.

A chuva caiu com força nos últimos dias na Flórida, e as previsões apontam 40% de possibilidade de chuvas nesta quarta-feira no Cabo Canaveral. Em caso de tempestades, o voo será adiado para sábado.

A Crew Dragon é uma cápsula como a Apollo, mas do século XXI. As telas sensíveis ao toque substituíram os botões e joysticks. O interior é dominado pelo branco com uma iluminação mais sutil, sem qualquer relação com os ônibus espaciais que foram usados entre 1981 e 2011.

Terra.com

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