Nem todos os segmentos da indústria têm motivos para lamentar. Na contramão da queda da produção industrial brasileira no ano passado, o setor de materiais de construção, que fechou 2019 com alta de 2%, já projeta um crescimento de 4% no faturamento em 2020, segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias de Materiais de Construção (Abramat). Entre 2015 e 2017, esse mercado havia desabado 23,8%.

“Ainda que sujeito a muitas externalidades, o sentimento da indústria para 2020 neste momento é de um otimismo moderado, com um cenário de manutenção de um varejo forte, conjuntura econômica positiva e novas medidas de financiamento para o setor imobiliário, fazendo com que se aumente o investimento”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da Abramat.

De acordo com o executivo, ainda falta um importante componente, que é a efetiva retomada de obras paradas e dos projetos de infraestrutura. “De qualquer forma, acreditamos que teremos um ano ainda mais positivo para a indústria de materiais de construção do que 2019, trazendo sustentabilidade para a retomada iniciada em 2018”, diz Navarro.

Um dos elementos que sustentam as projeções é um estudo da Abramat, o Termômetro da Indústria de Materiais de Construção, pesquisa de opinião realizada com as lideranças das empresas associadas. A publicação também destaca o crescimento do otimismo, refletido na opinião das empresas sobre ações governamentais e suas pretensões de investimento nos próximos 12 meses.

A conclusão é que, para 65% das empresas associadas, o faturamento no mês de janeiro foi considerado “regular”. Para 22%, o período foi “bom” ou “muito bom”, enquanto os demais 13% consideraram o primeiro mês do ano “ruim” ou “muito ruim”.

As projeções para o mês de fevereiro indicam desempenho mais positivo: 48% esperam um mês “bom”, 48% acreditam em um mês “regular”, enquanto 4% projetam um mês “ruim” ou “muito ruim”. O setor registra crescimento consecutivo no otimismo em relação ao governo desde outubro do ano anterior.

Segundo Navarro, existe a possibilidade de um crescimento “exponencial” neste ano, de aumento de 4,5% das vendas do varejo da construção e de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Isso porque há uma combinação de fatores que podem gerar um efeito positivo, como taxa de juros em queda, inflação sob controle, liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), novas modalidades de financiamento imobiliário e expectativa de aprovação do marco regulatório do saneamento.

CIMENTO Como quase não há obra sem concreto no Brasil, produtores de cimento esperam ter em 2020 um crescimento de vendas próximo dos 3,5% registrados no ano passado, ancorados em perspectiva de retomada do mercado imobiliário, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). No ano passado, as vendas de cimento somaram 54,5 milhões de toneladas, crescendo em todas as regiões do país, exceto no Norte, onde a demanda do produto caiu 1,6% na comparação com 2018.

O resultado do ano passado marcou o primeiro crescimento de vendas do setor desde 2014. Em dezembro apenas, as vendas subiram 1,6% sobre um ano antes, para 4 milhões de toneladas, segundo os dados do Snic. “Tivemos uma efetiva redução da taxa de juros de crédito imobiliário e a introdução do novo ‘funding’, que utiliza juros prefixados acrescidos da variação do IPCA, barateando as linhas de financiamento. Há grande expectativa quanto ao lançamento de uma nova modalidade de crédito imobiliário sem a correção já divulgado pela Caixa Econômica”, disse o presidente do Snic, Paulo Camillo, em comunicado.

Recentemente, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que a instituição vai lançar em março uma nova linha de crédito imobiliário com juro fixo, sem correção. O setor de cimento, que tenta se recuperar de uma crise iniciada em 2015, acumula desde então queda de mais de 25% na produção, fechou mais de 20 fábricas e opera com capacidade ociosa de cerca de 45%.

LINHA BRANCA Na esteira dos materiais de construção, o setor de linha branca, que representa principalmente a produção de máquinas de lavar, refrigeradores e fogões, apresentou crescimento de 7,8% em 2019 em relação a 2018. No ano anterior o crescimento havia sido de apenas 1%. Os números absolutos indicam a produção de 15,8 milhões de unidades desses produtos em 2019, contra 14,6 milhões em 2018.

“Ao analisarmos isoladamente os dados de linha branca, verificamos uma evolução importante. Esse viés positivo, porém, deve ser interpretado com moderação, tendo em vista que este segmento sentiu os efeitos da crise dos últimos anos, marcado por desempenhos que variaram entre estagnação e encolhimento da produção”, afirma o presidente da entidade, José Jorge do Nascimento.

Já a produção de eletroeletrônicos registrou alta de 5% em 2019, repetindo a mesma performance verificada em 2018, segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). No ano passado, foram produzidas 104,8 milhões de unidades.

Os números apontam para uma provável retomada do consumo, ainda que abaixo das expectativas do setor no início do ano. A Eletros, que representa as 33 maiores empresas do setor, previa evolução entre 5% e 10% no período.

“Projetávamos uma evolução com uma margem de crescimento mais robusta, mas os números indicam que atingimos o piso de nossa previsão, o que nos revela uma recuperação do consumo mais lenta do que seria a ideal”, afirma Nascimento.

Estado de Minas

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