Pandemia arrasta bancos para crise sem precedente
Crise do coronavírus afetou conglomerados bancários de peso, como o britânico Barclays: queda de 91% no lucro líquido no segundo trimestre (foto: TOLGA AKMEN/AFP)
Os bancos europeus mergulharam no segundo trimestre do ano na tempestade econômica deflagrada pela pandemia do novo coronavírus e registram enormes perdas, uma explosão de provisões e um risco de inadimplência.
O espanhol Santander, segundo em capitalização de mercado na zona do euro, anunciou ontem o primeiro prejuízo líquido em sua história, que atingiu uma soma gigantesca de 11,13 bilhões de euros.
As perspectivas econômicas desastrosas para a economia mundial obrigaram o banco a revisar para baixo o valor de várias de suas filiais, especialmente no Reino Unido, adquiridas a preços altos nos anos 2000.
No total, o impacto negativo nas contas do Santander é superior a 10 bilhões de euros. E, no primeiro semestre como um todo, as provisões do banco espanhol para risco de crédito não pago aumentaram em mais de 60%, para 7 bilhões de euros.
Outros pesos pesados europeus enfrentam o mesmo problema. O principal banco alemão, Deutsche Bank, quadruplicou seus investimentos de risco no segundo trimestre e registrou novo prejuízo líquido de 77 milhões de euros.
No Reino Unido, o Barclays viu seu lucro líquido cair no segundo trimestre em 91%, depois de “provisionar” outros 1,6 bilhão de libras para enfrentar o risco de inadimplência. As provisões do banco britânico atingiram 3,7 bilhões de euros no primeiro semestre.
“As consequências da pandemia de coronavírus causarão um aumento acentuado das perdas em empréstimos não recuperáveis em bancos europeus. Empréstimos a pequenas e médias empresas e a consumidores, sem garantias, serão os mais afetados”, analisa a agência de rating financeiro Moody’s em relatório recente.
Com suas contas sob grande pressão, o Barclays vai esperar até o final do ano para decidir sobre o pagamento de dividendos, o que mobiliza muito capital. O Santander, por sua vez, projeta pagamento de dividendos em 2019, na forma de ações, adiando o pagamento líquido “até o momento em que as condições de mercado se normalizarem”.

REAÇÃO

Apesar dos tempos difíceis pela frente, o setor “parece forte o suficiente para suportar o impacto econômico e os empréstimos não pagos”, observa a consultoria Oliver Wyman, acrescentando que os bancos passaram “uma década reforçando seus saldos contábeis” desde a crise financeira de 2008. Para os bancos europeus, “as perdas causadas pela COVID-19 representariam menos de 40% das registradas durante a crise financeira global de 2008-2010”, complementa.
Além disso, vários analistas acreditam que as medidas adotadas por diferentes governos para melhorar a situação de famílias e empresas ajudarão os bancos a amortizarem o risco de inadimplência. No entanto, esse apoio “não compensará totalmente” o impacto da crise da saúde, alerta a Moody’s.

 

ENQUANTO ISSO…

…Vem aí a nota de R$ 200

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento de nova cédula, no valor de R$ 200. Por questão de segurança, o Banco Central ainda não divulgou imagem nem características, mas antecipou que ela terá como ‘padrinho’ o lobo-guará e entrará em circulação no fim de agosto. De acordo com o BC, haveria demanda maior por papel-moeda no mercado, na esteira da pandemia, com mais saques de dinheiro. De março a junho, esse total em poder do público aumentou em R$ 61 bilhões. A instituição nega haver relação da nova nota (da qual serão impressos R$ 90 bilhões) com possível desvalorização do real.
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