‘Pensei que ia morrer’, diz motorista que teve carro engolido por cratera no Santa Tereza, em BH

Uma cratera de 20 metros engoliu um Fiat Argos no Bairro Santa Tereza, Região Oeste de BH. O incidente ocorreu na Rua Gabro, esquina com a Rua Capitão Procópio na manhã desta quinta-feira (25) após o rompimento de uma adutora da Copasa.

O dono do veículo, o motorista Marco Antônio dos Santos, de 57 anos, conta que estava dentro do carro quando o buraco se abriu, junto com a mulher, a diarista Sônia Aparecida de Freitas Santos, de 51. “Achei que ia morrer, diz o motorista, que não teve ferimentos e aguarda a remoção do carro. A esposa dele também saiu ilesa do acidente.

Caique Gonçalves, de 26 anos morador da Rua Gabro, disse que o vazamento havia começado na noite dessa quarta-feira, por volta das 21h. “Está um transtorno aqui, já ligamos para a Copasa para notificar e até então, eles não vieram. Na hora eu achei que estava chovendo e quando fui ver estava descendo muita água”, explicou.

A cratera, que está inundada pela água que corre pelos canos subterrâneos da via, continua cedendo. O Corpo de Bombeiros ainda não identificou as causas da erosão do solo. “Sabemos que uma adutora da Copasa se rompeu no local. A força da água, provavelmente, erodiu o solo, mas manteve o asfalto intacto. Com o peso do veículo que passava por aqui esta manhã, a via cedeu. Mas ainda vamos investigar, essa é uma probabilidade”, disse o Tenente Bernardo Santos.

Ainda de acordo com o tenente, a Defesa Civil removeu moradores de cinco casas da Rua Gabro, três do lado direito, mais próxima à cratera, e duas do lado esquerdo. É possível que a estrutura das residências tenha sido abalada. O passeio em frente a uma delas, situada na altura do número 250, foi totalmente erodido, mas a Defesa Civil, por enquanto, descarta a hipótese de que ela seja arrastada para dentro do buraco.
Negligência
Moradores da Rua Gabro relatam que o rompimento da adutora que teria causado a cratera foi informado por volta de 21h dessa quarta-feira (24), primeiro à Copasa, que não atendeu a ocorrência. Por volta de 4h desta quinta (25), o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas só compareceu às 9h da manhã, quando o carro já havia sido arrastado pela erosão.

Vídeos e fotos feitos pelos residentes do prédio que fica no número 10 da rua Capitão Procópio, bem próximo do buraco, registram o início do alagamento, ainda na madrugada.

Filogômino Júnior, de 55 anos, que mora em um dos apartamentos do edifício, diz que foi ele quem isolou o trecho do acidente com cones. “Esse material é meu. Não tem nada dos bombeiros aí, exceto a fita zebrada”, afirma o servidor público.

O morador também diz que ele e os vizinhos chegaram a ser coagidos pelos bombeiros quando tentaram alertar a corporação sobre o vazamento. “Disseram que esse problema não era da competência deles e nos intimidaram. Falaram que nós estávamos desacatando os agentes ao insistir que eles viessem. Restringiam-se a nos orientar para chamar a Copasa, o que fizemos várias vezes, mas não adiantou”, conta.

“Se a Copasa ou os bombeiros tivessem vindo aqui na noite de ontem, quando ligamos, esse acidente que ameaça a segurança de várias pessoas da rua não talvez pudesse ter sido evitado”, reclama.

Procurada, a Copasa ainda não se manifestou.

Estado de Minas

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