O Cruzeiro aguarda a realização de audiência na Justiça para tentar uma possível reintegração do volante Éderson ao grupo ou venda de seus direitos econômicos.O encontro acontecerá na quarta-feira, 19 de fevereiro, às 8h30, na 1ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte.

Conforme apurou a reportagem, o Cruzeiro mantém confiança em um parecer favorável, pois pagou parte do que devia a Éderson antes de ser notificado judicialmente. Além disso, caso a Justiça determine a quitação dos valores ainda pendentes com o jogador, mas sem rescindir o contrato, o clube está pronto para cumprir a obrigação.

Internamente, o Cruzeiro acredita que poderia ter negociado Éderson se ele não tivesse entrado na Justiça. Várias equipes da Europa consultaram a diretoria mineira sobre as condições de uma eventual transferência do meio-campista.

Com relação a Éderson, qualquer decisão será tomada somente depois da audiência. O jogador chegou a participar dos primeiros dias de pré-temporada na Toca da Raposa II, mas parou de treinar assim que ajuizou a ação, em 9 de janeiro.

Éderson processou o Cruzeiro por causa de atrasos em salários, direitos de imagem, 1/3 sobre férias, 13º, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outras verbas trabalhistas. O valor de R$ 2.638.836,57 corresponde à íntegra do contrato, até julho de 2023.

Além do litígio com o volante, a Raposa tem débito de R$ 1,275 milhão com o Desportivo Brasil pela aquisição de 50% dos direitos de Éderson. Foram pagas apenas duas das 11 parcelas.

Em 2019, Éderson foi um dos poucos destaques na participação desastrosa do time no Campeonato Brasileiro – rebaixado à Série B em 17º lugar, com 36 pontos em 38 rodadas. Em 21 jogos, marcou dois gols.

Contrato

O contrato feito pelo Cruzeiro com Éderson em julho de 2019 previa reajustes progressivos nos vencimentos, divididos entre salário-base (50%), direitos de imagem (30%) e acréscimos remuneratórios (20%):

R$ 50 mil – jul/2019 a jul/2020

R$ 75 mil – jul/2020 a jul/2021

R$ 100 mil – jul/2021 a jul/2022

R$ 120 mil – jul/2022 a jul/2023

No dia 24 de janeiro, Carlos Ferreira, interlocutor do Núcleo Dirigente Transitório com o departamento de futebol do Cruzeiro, afirmou que André Cury, um dos empresários de Éderson, tornou-se persona non grata (que não é bem-vinda, em tradução do latim) no clube.

“A situação de fragilidade, quando você entra em negociação, você entra em desvantagem. Mas não é verdadeira a afirmação de que todos os empresários estão boicotando o Cruzeiro. Tem empresários sérios, que estão ajudando o clube, o do Rodriguinho, por exemplo (Luís Paulo Santarelli). André Cury, hoje, é considerado no meio do Conselho Gestor uma persona non grata. Não é de hoje que ele vem prejudicando o Cruzeiro em várias negociações. A gente não tem sentimento de amizade com ele nesse momento”.

Procurado pelo Superesportes na ocasião, André Cury se defendeu das acusações e disse que os jogadores não podem trabalhar de graça por conta da situação crítica do Cruzeiro.

“É lamentável a parte que está errada achar que está certa. Como o Carlos sabe, o Cruzeiro não está cumprindo seus compromissos. A mim, eles devem R$ 12 milhões e nunca levei na Justiça. Nem comissão eles pagam. E agora não estão pagando jogador. Ninguém é obrigado a jogar de graça só porque o diretor está com problema. Eles têm é que agir com seriedade, organizar a instituição e parar de jogar para a torcida”.

Estado de Minas

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