A maior parte da lista de material escolar está mais barata em Belo Horizonte neste ano do que em 2019. A conclusão é do site de pesquisas Mercado Mineiro, que cotou os preços de 82 produtos em nove estabelecimentos da capital, na quarta e quinta-feira da semana passada, e os comparou aos valores do mesmo período de 2019. Entre os itens que mais baratearam, estão cola, fita crepe, massa de modelar e caderno. Porém, a pesquisa também verificou aumentos em alguns preços, como os do lápis preto e de cor, grafite para lapiseiras e pastas de elástico.

Segundo o levantamento de dados, o produto que sofreu maior queda no preço em um ano foi a cola branca de 90 gramas, da marca mais cara encontrada. Enquanto o preço médio no ano passado era de R$ 5,80, a pesquisa encontrou o produto por R$ 2,95, agora, o que representa redução de 49,14%. Já a caixa de massa de modelar de marca, com 12 cores, ficou em média 29,39% mais barata, mediante a queda do preço médio de R$ 7,77 para R$ 5,49 no período analisado.

As quedas de preço surpreenderam o coordenador do site Mercado Mineiro, Feliciano Abreu. Na análise de Abreu, como o poder aquisitivo do consumidor está pressionado por fatores como a alta do dólar, as papelarias podem estar reduzindo as margens de lucro para garantir as vendas. A pesquisa verificou queda de 26,42% no preço médio do caderno tipo brochurão, de capa dura com 96 folhas, licenciado. Em janeiro de 2019, o preço médio era de R$ 10,02 e hoje está em R$ 7,37.

A tesoura de inox com ponta redonda, das marcas mais caras, ficou em média 22,32% mais barata: em 2019, o preço médio era de R$ 9,23 e passou para R$ 7,17 este ano. Ainda de acordo com a pesquisa, a caneta esferográfica mais cara do mercado é encontrada ao preço médio de R$ 13,38 em BH, enquanto que o consumidor encontra a borracha com capa plástica genérica por R$ 2,36, em média.

A pesquisa do site Mercado Mineiro chegou a conclusão que os cadernos licenciados, com estampas de personagens ou marcas, ficaram mais baratos em relação ao ano passado, enquanto os genéricos, sem estampas, encareceram. Feliciano Abreu explica que a demanda pelos cadernos mais baratos está maior, o que leva à alta nos preços. “Mostra claramente que os pais estão pensando duas vezes na hora de gastar com luxo”, afirma. Ainda assim, ele acredita que os produtos mais simples devem vender mais, já que a diferença para os mais caros ainda é expressiva.

Uso diário

Por outro lado, de acordo com a pesquisa, o item que ficou mais caro em um ano foi a pasta aba elástico, que sofreu aumento de 81,85% no preço médio, saindo de R$ 5,95 para R$ 10,82. Já o preço médio do lápis preto nº 2 HB, da marca Faber Castell, teve alta de 81,34% se comparado com o ano passado. A diferença é de R$ 1,11, mediante o preço atual de R$ 2,01. Outro reajuste considerável ocorreu no preço médio da caixa de lápis de cor, com 12 unidades. O valor em janeiro do ano passado era de R$ 0,59 e agora está em R$ 0,73, alta de 24,29%.

Para economizar, a engenheira civil Renata Araújo, de 45 anos, comprou apenas os materiais de uso diário para a filha Rafaela, de 13 anos. “A maioria dos materiais eu já tinha do ano passado. Então, o que mais comprei foi grafite, borracha, caneta e caderno”, conta. Como a filha gosta de comprar na mesma papelaria, Renata não chegou a pesquisar os preços. “Os preços estão mais ou menos, no ano passado eu tinha comprado alguns materiais e lembro de alguns valores. Está dentro da média”, diz.

De acordo com Feliciano Abreu, as altas nos preços de material escolar são comuns nesse período do ano, já que a demanda é alta. “Volta às aulas é o Natal das papelarias, há uma tendência muito forte de aumento do preço”, explica. A Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) estima que os preços nas papelarias sofram alta de 8% este ano, acima da inflação oficial de 2019, de 4,31%.

Contudo, na avaliação de Abreu, o melhor momento para comprar o material escolar é no início da segunda quinzena de janeiro. “Se deixar para comprar na última hora os preços podem cair, mas é mais difícil negociar, porque as lojas estarão lotadas”, afirma.

A estratégia da professora Elisângela Martins, de 44 anos, é aproveitar para comprar em maior quantidade alguns itens, como cadernos, quando encontra preços melhores. “Em casa já tenho muita coisa. Então estou comprando aquilo que não tenho”, diz.

Estado de Minas

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