O Cruzeiro comemora nesta sexta-feira 15 anos da conquista da Tríplice Coroa. Em 2003, o time comandado por Vanderlei Luxemburgo fez o que nenhum outro clube brasileiro conseguiu: venceu o Estadual, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro na mesma temporada.

No dia 30 de novembro daquele ano, o Cruzeiro faturou a Série A ao vencer o Paysandu no Mineirão, pela 44ª rodada do Campeonato Brasileiro, então disputado por 24 clubes. O caneco veio com vitória por 2 a 1, gols de Zinho e Mota. Aldrovani descontou para o Papão.

O curioso é que o craque da temporada não participou daquele jogo. Alex estava suspenso e viu tudo de uma das cabines do Mineirão. Se não estava em campo na tarde de domingo em que o Cruzeiro confirmou o título com duas rodadas de antecedência, o camisa 10 foi determinante em todo campeonato. Além de ter sido o maestro do time, ele é, até hoje, o maior artilheiro cruzeirense em uma edição do Nacional, ao ter marcado 23 gols, um a mais que Alex Alves em 1999.

Segundo o craque, a temporada 2003 resgatou seu melhor futebol depois de um período frustrante na Itália. “Foi uma retomada, não só profissional, mas pessoal também. Fui vendido ao Parma em 2000. Entre 2000 e 2002, quando retorno ao Cruzeiro, vivi situação que não desejo a ninguém: brigas na Justiça, perdi duas gravidezes com a minha mulher. Ano complicado pessoalmente, profissionalmente não funcionava. Antes, fracassei no Flamengo. Teve Jogos Olímpicos no meio, também não fui chamado para a Copa do Mundo em 2002. Por isso, 2003 realmente é o ano em que reabre um caminho para voltar o futebol. Vários entendedores do futebol davam a minha carreira como acabada, consegui dar a volta por cima e o Cruzeiro me proporcional isso”, disse à reportagem.

Além de Alex, outros grandes jogadores participaram daquele ano inesquecível. Entre tantos, destaque para o goleiro Gomes, os laterais Maurinho e Leandro, os zagueiros Cris, Edu Dracena e Luisão, os volantes Augusto Recife, Maldonado, Wendel e Martinez, os meias Zinho e Marcinho e os atacantes Marcelo Ramos, Mota, Alex, Aristizábal e Deivid.
A maioria desses ex-atletas se reuniu no último domingo, no Mineirão, para celebrar os 15 anos da Tríplice Coroa. Alex também lançou um livro: “2003, a Tríplice História de um Time Mágico”. A obra é comercializada a R$ 39,90, com 138 páginas, e foi escrita pelo ex-camisa 10 em parceria com o jornalista Anderson Olivieri.

A temporada

Em 2003, o Cruzeiro fez parte de sua pré-temporada em Araxá, em busca de mais tranquilidade. Logo no Mineiro, o time de Vanderlei Luxemburgo deu liga e conquistou o título de forma invicta. O Estadual foi disputado no formato de pontos corridos. Em 12 partidas, a Raposa venceu dez e empatou duas (América e Rio Branco). O Cruzeiro marcou 35 gols (média de 2,9). A maior goleada ocorreu sobre o Mamoré, por 6 a 0, no Mineirão.

A conquista estadual foi confirmada com a vitória por 4 a 0 sobre a URT em Patos de Minas.

A Copa do Brasil também foi conquistada de forma invicta. Na primeira fase, o time de Luxemburgo venceu o Rio Branco-ES por 4 a 2. Depois, o adversário foi o Corinthians-RN. Empate fora de casa (2 a 2) e goleada no Mineirão (7 a 0). Na sequência, a Raposa despachou o Vila Nova-GO (2 a 0 e 2 a 1). Nas quartas de final, o Vasco foi o time a ser batido. E o Cruzeiro não se intimidou: 2 a 1 no Mineirão e 1 a 1 em São Januário. Antes da decisão, o clube celeste despachou o Goiás (3 a 2 e 2 a 1). Na final, contra o Flamengo, Alex desequilibrou, e o Cruzeiro chegou ao tetra do torneio. No empate por 1 a 1 no duelo de ida, no Maracanã, o camisa 10 marcou um belo gol de letra. Na volta, no Mineirão, liderada pelo craque, a Raposa não deu chances e venceu por 3 a 1 com gols de Deivid, Aristizábal e Luisão.

As duas conquistas anteriores não fizeram o time reduzir o ritmo no Brasileiro. O Cruzeiro liderou em 37 rodadas do Campeonato Brasileiro. Em 46 jogos (138 pontos possíveis), o time alcançou 100 pontos (72,46% de aproveitamento), com 31 vitórias, sete empates e oito derrotas. O São Caetano foi o único time que o Cruzeiro não superou. A vocação ofensiva também foi demonstrada com 102 gols em toda campanha (média de 2,2 gol por jogo).

Estado de Minas

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