Depois de completar três meses de implantação, a plataforma digital do Estacionamento Rotativo de Belo Horizonte decreta a extinção do velho tíquete, que já tem data marcada: a partir do dia 26, os talões deixam de ser distribuídos aos pontos de venda. Ao mesmo tempo, o controle de permanência nas vagas avança sobre as duas rodas, com a exigência de que pilotos de motos de placas vermelhas acionem os aplicativos e obedeçam ao tempo máximo de permanência em zonas demarcadas, sob pena de multa. Pelo menos neste momento, não está prevista a cobrança de crédito dos motociclistas, nem a extensão da exigência para as demais motocicletas.

A novidade tem como objetivo garantir a fiscalização da rotatividade do estacionamento exclusivo para motos de aluguel, que não contava com um mecanismo efetivo para punir quem não cumpre o prazo máximo de permanência. A portaria oficializando a norma deve ser publicada nos próximos dias e passa a valer a partir do dia 16. A novidade foi vista com estranheza entre condutores que trabalham diariamente com a moto.

Motociclistas que pilotam veículos de placas vermelhas integram a categoria motofrete – transporte de pequenas cargas em motocicleta, motoneta ou triciclo motorizado. Esse serviço pode ser prestado por pessoas físicas (autônomos), desde que credenciados pela BHTrans. Atualmente, a cidade conta com 6.620 motofretistas cadastrados e 573 áreas regulamentadas para o estacionamento exclusivo dessa categoria – que pode usar o espaço destinado às motos comuns, embora o contrário não seja permitido.

As vagas exclusivas para motofrete são distribuídas entre várias áreas de grande fluxo da cidade, como Centro (262), Cidade Administrativa (70), Área Hospitalar (43), Barro Preto (42) e Savassi (39). Hoje, não é necessário o uso da folha do Rotativo, mas a vaga pode ser ocupada por uma hora. Há poucos dias, os motofretistas passaram a se deparar com um aviso nas placas de identificação: “Brevemente controle eletrônico de permanência”.

Esse monitoramento começa dia 16. De acordo com o diretor de Sistema Viário da BHTrans, José Carlos Mendanha Ladeira, o serviço funcionará da mesma forma que ocorre com os carros, porém, de forma gratuita: o motociclista deve baixar um dos apps, fazer o cadastro e indicar o horário de parada na vaga. “A fiscalização das vagas exclusivas para motociclistas com placa vermelha é muito difícil. Os guardas vão até o local, verificam se a moto é, de fato, de placa vermelha, mas não havia como constatar o tempo de permanência na vaga – que é, sempre, de no máximo uma hora. Agora, com o Rotativo eletrônico, poderemos fiscalizar efetivamente para que todos possam usufruir das vagas”, disse.

Ele afirma que os motofretistas poderão usar o app quantas vezes por dia forem necessárias e que, nessa etapa, nada é cobrado. Os motoristas que não têm celular poderão procurar um posto que forneça o serviço do rotativo digital para cadastrar o horário estacionado. Caso a nova regra seja desrespeitada, o motofretista estará sujeito a multa por estacionamento irregular.

APREENSÃO O autônomo Dário de Almeida, de 31 anos, usa a moto como ferramenta de trabalho há um ano,  e pouco sabia dos avisos instalados nas placas. Informado, se mostrou preocupado com a novidade. “Vai atrasar demais meu trabalho. Muitas vezes eu paro rápido, mas mais de 30 vezes por dia. Vou precisar de usar o aplicativo todas as vezes?”, questionou.

O colega de profissão Deivison de Abreu, de 36, que trabalha na área há mais de 15 anos, concorda: “A placa vermelha é justamente de quem está trabalhando. Vai prejudicar demais, porque tem dia em que a gente não tem tempo nem de almoçar, vai ter que ficar registrando o estacionamento? Perde muito tempo, e tempo, para nós, é dinheiro”. Por outro lado, ele diz que há “aproveitadores” que conseguem a placa vermelha para usufruir do benefício da vaga exclusiva. “Ficam lá o dia todo”, contou ele. Nesse caso, a rotatividade pode melhorar com a nova forma de fiscalização.

O aplicativo passo a passo

Motorista

1) Baixe um dos apps nas lojas virtuais e faça o seu cadastro

2) Compre créditos e pague com cartão de crédito, débito ou boleto. É possível comprar também em um dos postos de venda

3) Ao estacionar em uma vaga do sistema, faça o login no aplicativo e ative o crédito

4) Com o crédito ativado, os fiscais conferem se o veículo está registrado no sistema de acordo com o horário permitido em cada local

Motofretista

1) Baixe um dos apps nas lojas virtuais e faça o seu cadastro

2) Ao estacionar em uma vaga do sistema, faça o login no aplicativo

3) Com o app ativado, os fiscais conferem se o veículo está registrado no sistema de acordo com o horário permitido: uma hora

O sistema em números

23.452 vagas físicas compõem o Estacionamento Rotativo de BH

876 quarteirões da capital contam com vagas com diferentes tempos de permanência

105.830 oportunidades de estacionamento podem ser geradas caso seja respeitado o tempo máximo de permanência nas vagas

161.114 usuários estão cadastrados no sistema digital em Belo Horizonte

Motoristas ‘digitais’ devem se multiplicar

O Estacionamento Rotativo digital foi implantado em junho pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), e hoje já soma 161.114 usuários cadastrados – o que corresponde a 45% dos usuários do sistema antigo. Pela nova plataforma, com o aplicativo no celular ou em postos de vendas o motorista pode comprar créditos eletrônicos para estacionar nas vagas rotativas da capital.

Até 26 de setembro, foram adquiridos cerca de 641 mil créditos por condutores em BH, dos quais 451 mil foram ativados. Atualmente, são 412 postos de venda de créditos eletrônicos e a BHTrans avalia como bastante positivo o resultado. “Hoje, 45% das pessoas que estacionam nas vagas já fazem o uso do Rotativo Eletrônico. O número está dentro do esperado e deve crescer quando os talões não forem mais vendidos”, explicou o diretor de Sistema Viário da BHTrans, José Carlos Mendanha Ladeira. Ele garante que, apesar da suspensão do comércio do Rotativo de papel, o usuário que tenha os tíquetes poderá usá-los quando quiser – sem prazo para extinção.

Três aplicativos oferecem a venda de créditos de Rotativo pelo celular e outros quatro possibilitam a compra nos postos de venda do crédito virtual. Segundo a BHTrans, o grande número de opções fomenta a concorrência e beneficia o usuário. Uma das empresas é a Zul Rotativo Digital BH. De acordo com André Brunetta, executivo da Zul, a empresa conta com cerca de 10% do total de usuários usando o serviço. “O nosso app foi disponibilizado somente após algumas semanas de o lançamento oficial ter ocorrido. Isso fez naturalmente com que outros aplicativos já disponíveis no dia do lançamento acabassem tendo mais exposição. Algo similar ocorreu em São Paulo, e mesmo com essa desvantagem inicial nosso aplicativo atualmente é o mais usado na capital paulista”, disse. Ele coloca que a concorrência é fundamental para que o serviço continue sendo aprimorado ao longo do tempo. E o número de apps ainda deve crescer, já que outras 23 empresas estão em processo de licitação para brigar pelo mercado.

O novo sistema é semelhante ao convencional: para estacionar até o tempo máximo indicado na placa de sinalização do Rotativo, o usuário deverá usar o crédito eletrônico. Quando ficar por até 30 minutos, poderá lançar mão do bônus eletrônico de gratuidade. Porém, está proibida “a utilização da vaga pelo mesmo veículo de forma consecutiva, pelo uso sequencial do crédito eletrônico e do bônus, ou vice-versa, sem retirar o veículo da vaga”, conforme as regras do serviço. O preço atual é de R$ 4,40.

Estado de Minas

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