Em pleno ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a tira colo, intensificou sua agenda de inaugurações de obras e lançamento de pedras fundamentais. Em paralelo, quase triplicaram os gastos com diárias de funcionários de órgãos envolvidos na preparação do bem estar dos dois petistas em suas visitas fora de Brasília. Gastos de civis e militares no país contabilizados pela Presidência da República somaram neste ano R$ 1,47 milhão contra R$ 565 mil nos dois primeiros meses de 2009. Um crescimento de 160%. Esses números incluem dados da Secretaria de Administração, Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Cerimonial, Gabinete Pessoal do presidente. Foram excluídas despesas com o centro gestor do Sistema de Proteção da Amazônia, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social e a Secretaria Nacional da Juventude. Diárias no exterior também não foram incluídas. Os dados foram levantados pelo Estado de Minas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Aliado a esses números, o presidente Lula participou de 18 eventos de inauguração e lançamento de obra fundamental. No mesmo período do ano passado, foram nove inaugurações e nenhuma pedra fundamental. Todas as visitas de Lula a hospitais, centros tecnológicos, fábrica, sindicato e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) (a grande maioria com a ministra Dilma ao lado) mobilizam uma verdadeira trupe de servidores: seguranças pessoais, assessores, funcionários civis e militares. Nos dias que antecedem os eventos, por exemplo, o GSI realiza varreduras nos locais em que o circo presidencial será instalado para saber se há algum risco às autoridades. O valor das diárias, no entanto, não reflete com exatidão esse custo das viagens e inaugurações de Lula e Dilma. Dentro da Secretaria de Administração, por exemplo, há gastos de outros órgãos ligados à Presidência da República, como a Secretaria-Geral ou a Secretaria de Comunicação Social, que podem fazer o acompanhamento dessas visitas, mas também usam as despesas com diárias para realizar serviços próprios. A Casa Civil descartou qualquer relação com o aumento de viagens de Lula e Dilma e disse que o aumento deve-se ao reajuste concedido pelo presidente Lula em julho do ano passado. As diárias para servidores variam de R$ 177, para postos de nível intermediário e de auxiliares, até R$ 406,7 para cargos de natureza especial. Ministros ganham de R$ 458,99 até R$ 581, a depender do deslocamento. Em 2009, a ministra Dilma Rousseff ganhou em diárias R$ 16..511,73, de acordo com o Portal da Transparência do governo federal. O dado de 2010 não estava disponível. O crescimento das despesas com diárias ocorre num momento em que a oposição bombardeia Lula e Dilma com acusações de que estão em franca campanha eleitoral. Ambos estariam aproveitando eventos nos estados para divulgar a pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil ao Palácio do Planalto. O presidente defende-se sob argumento de que tem direito de colher os frutos de sua administração e que leva Dilma por ela ser a gestora dos programas do governo. Até agora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não acatou nenhuma reclamação de antecipação de campanha dos petistas feita pelos partidos de oposição. No mais recente evento, a inauguração de um hospital no Rio de Janeiro, teve distribuição de sanduíches para moradores e até trios elétricos pedindo voto para Dilma –proibido pela legislação eleitoral. *Uai |
|