A oito meses das eleições, pré-candidatos de vários partidos e cargos voltam seus olhos nesta segunda e na terça-feira para Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral no país. Nesta segunda, o vice-presidente José Alencar (PRB), nome cotado para concorrer ao governo do estado, será homenageado na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Em seguida, recebe o título de filiado de honra do PT, durante evento na sede mineira do partido.
O vice estará acompanhado da ministra da Casa Civil e pré-candidata petista ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff. Ela seguirá em viagem pelo estado, terça-feira, na companhia do presidente Lula para a inauguração de obras. No mesmo dia, a exemplo da última visita de Lula a Minas, o governador Aécio Neves (PSDB) não acompanha o presidente e segue para outro compromisso. Aécio, que deve concorrer ao Senado, vai a Montes Claros, no Norte de Minas, com o vice e pré-candidato ao governo, Antonio Augusto Anastasia (PSDB). Lula e Dilma inauguram obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Governador Valadares, na Região do Rio Doce, e uma universidade em Teófilo Otoni, no Jequitinhonha. Segundo a assessoria de imprensa do Palácio da Liberdade, no mesmo dia, Aécio e Anastasia inauguram, entre outras obras, uma estação de esgoto em Montes Claros. Esta é a segunda viagem de Lula este ano ao estado sem a presença do governador – a primeira ocorreu em 19 de janeiro, aos municípios de Jenipapo, Araçuaí e Juiz de Fora. A incompatibilidade de agendas deve mesmo fazer com que a situação se repita. Aécio prometeu fazer ao menos 30 viagens de inaugurações com Anastasia pelo estado até a data em que será obrigado pela legislação eleitoral a deixar o cargo, seis meses antes das eleições, para poder concorrer a outra vaga eletiva nas urnas. Nesse período, o governador terá ainda outra grande empreitada pela frente: a inauguração, em 4 de março da Cidade Administrativa, nova estrutura que abrigará o Executivo mineiro e as secretarias, no Bairro Serra Verde, na Região Norte de Belo Horizonte, com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. A estratégia tem o objetivo de fortalecer Anastasia para a eleição ao governo do estado, mas também sinaliza que o governador deve mesmo concorrer este ano a uma das duas vagas de Minas no Senado. Em situações recorrentes, Aécio tem dito que seu caminho é o Senado. Semana passada, ele afirmou mais categoricamente seu destino nas urnas. Vice Já a visita de Alencar a BH ao lado da ministra Dilma pode sinalizar um avanço da alternativa que tem cada dia mais tomado corpo no arco de alianças do governo Lula: a candidatura do vice ao governo do estado. A entrada do nome de Alencar na corrida ao Palácio da Liberdade tem o objetivo de aplacar a briga entre PT e PMDB, que batem o pé no lançamento de candidaturas próprias, o que impediria a coligação entre os partidos e resultaria em um palanque dividido e, logo, enfraquecido para Dilma em Minas. Alencar, que antes considerava apenas a hipótese de voltar ao Legislativo (mais especificamente ao Senado), admitiu recentemente essa possibilidade. Segundo declarações recentes dos líderes dos partidos aliados ao PT, a possível candidatura já é bem aceita. No âmbito federal, Lula se esforça em ligar a imagem de Dilma às inaugurações e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As viagens de Lula e Dilma sofreram ainda o protocolo de representações por partidos da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No último recurso protocolado, o texto reclamava do fato de o presidente ter defendido em seu discurso a importância de o governo inaugurar “o máximo de obras possível” até o fim de março, para “mostrar quem foram as pessoas que ajudaram a fazer as coisas nesse país”. Em decisão anunciada sexta-feira, o tribunal julgou improcedentes as representações por propaganda eleitoral antecipada. *Uai |
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