A febre amarela volta a avançar em ritmo acelerado em Minas Gerais. Em 11 dias, 10 mortes foram confirmadas em decorrência da doença por meio de exames da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Ao todo, 11 pessoas tiveram testes positivos para a enfermidade nos municípios mineiros. O vírus se aproxima da área urbana. Prova disso é que Nova Lima, na Grande BH, já registrou três óbitos. O risco da contaminação levou ao fechamento ou restrição de visitação em ao menos cinco parques no estado, sendo que dois estão na capital e um na região metropolitana. Além disso, quatro áreas verdes estão em alerta por estarem próximas a locais onde houve mortes de macacos. Destas, três estão situadas em Belo Horizonte. A vacinação, que está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi intensificada em várias cidades.

Desde o início deste ano, a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) divulgou dois boletins epidemiológicos e uma atualização sobre a febre a amarela. A cada nova divulgação, os casos crescem rapidamente no estado. No primeiro texto divulgado pela pasta, em 5 de janeiro,  eram dois casos confirmados pela doença, sendo que um paciente havia morrido. Ontem, as confirmações subiram para 11, com 10 óbitos. A situação pode ser ainda pior, já que ainda são investigadas 10 notificações. A metodologia de divulgação dos dados foi modificada pela SES/MG. Os números serão apresentados com base nas características sazonais da doença em período que começa em julho e termina em junho do ano seguinte.

A cidade com o maior número de mortes registradas no estado no ciclo 2017/2018 é Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com três óbitos confirmados. O último deles, ontem. Houve outra morte suspeita. Exames da Fundação Ezequiel Dias (Funed) concluíram que um homem, de 60 anos, morador do Bairro Galo, que morreu em 5 de janeiro, contraiu a doença. Além dele, morreu um pintor de 51 anos, nova-limense que morava em São Paulo – estado onde há avanço da doença – e chegou à cidade para passar as festas de fim de ano com a família, no Bairro Honório Bicalho. E também um outro homem, morador da cidade, que morreu no Bairro Santa Rita.

A situação no município pode ser ainda pior. Um morador de Nova Lima que estava internado no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, com suspeita da doença, morreu na tarde de ontem. “É importante ressaltar que ainda não está confirmada a causa dessa morte”, disse a prefeitura por meio de nota. O caso ainda está sendo investigado. “As investigações estão sendo realizadas de acordo com o protocolo de febre hemorrágica, que pode diagnosticar doenças como dengue, febre amarela, hantavírus, febre maculosa, leptospirose e hepatite A”, completou a administração municipal.Outra cidade que intensificou as ações para bloquear a doença é Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A SES confirmou que dois moradores, uma mulher e um homem, morreram ao contrair a febre amarela. Amanhã, um mutirão de vacinação será iniciado no município.

Já foram confirmadas mortes também em Brumadinho, na Grande BH, Carmo da Mata, na Região Centro-Oeste de Minas, Mar de Espanha e Barra Longa (duas), ambas na Região da Zona da Mata. No caso de Barra Longa, a prefeitura confirmou o segundo óbito na noite de ontem e informou tratar-se de visitantes.

Municípios onde há casos confirmados ou apresentam mortes de primatas estão recebendo ações de bloqueio contra a febre. Entre as medidas estão a intensificação da vacinação e da vigilância das epizootias (morte de macacos), investigação dos insetos e vigilância laboratorial.

VACINA Os órgãos de saúde alertam que a medida mais importante para prevenção e controle é a vacinação. A vacina está disponível em todas unidades de saúde. As doses podem ser aplicadas em pessoas em faixa etária entre 9 meses e 59 anos. Gestantes e idosos devem procurar um profissional de saúde e passar por avaliação antes de imunizados. A vacina deve ser tomada ao menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco. De acordo com a SES, todos os municípios mineiros estão abastecidos com a medicação. A cobertura vacinal no estado está em 81%, sendo que a meta é 95%. A estimativa é que aproximadamente 3,6 milhões de pessoas não estejam imunizadas. Somente no ano passado, foram distribuídas mais de 9 milhões de vacinas.

Alerta nas áreas verdes

 

O avanço da febre amarela por Minas Gerais atrapalha o turismo, principalmente em reservas ecológicos, em pleno período de férias escolares. Desde o início do ano, ao menos cinco parques estão fechados ou com restrição de visitação no estado. Entre eles, está o Parque das Mangabeiras e da Serra do Curral, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na capital, ainda há alerta em três áreas verdes devido à proximidade com locais onde tiveram mortes de primatas. São eles: Estação Ecológica do Cercadinho, entre BH e Nova Lima; Parque Estadual Serra Verde, na Região Norte, e Parque Estadual da Baleia, na Região Leste.

De acordo com o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), a última unidade de conservação estadual fechada devido à febre amarela foi a Estação Ecológica de Mar de Espanha, na Região da Zona da Mata. Um vendedor morador da cidade, que não era vacinado, morreu em 4 de janeiro. A confirmação da doença como causa do óbito ocorreu anteontem. Mesmo antes da confirmação, algumas medidas já estavam sendo tomadas pela prefeitura para bloquear o vírus. Entre elas, a interdição de áreas verdes.

“Tivemos que interditar a estação ecológica onde encontramos primatas mortos, além de ossadas desses animais. Lá, era um horto florestal que foi transformado em estação ecológica. Muitas pessoas visitam para fazer caminhada, escolas promovem passeios, temos viveiros de animais. Por isso tivemos que tomar essa medida. Também estamos até com campos de futebol interditados”, informou o prefeito Wellington Marcos Rodrigues (PSDB).

A morte de primatas e a proximidade com cidades onde há casos confirmados da doença foram os motivos para suspender a visitação ao Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A medida foi adotada em 5 de janeiro, mesmo dia em que foram confirmados dois casos da doença em Brumadinho, sendo que um paciente morreu. No local, está proibida a realização de trilhas e visitas guiadas. A estrada que corta a unidade de conservação, no entanto, está com tráfego liberado, para o acesso aos municípios e condomínios da região.

A unidade é a terceira maior do país em área urbana (3.941,09 hectares), hábitat de espécies da fauna ameaçadas de extinção como a onça-parda, a jaguatirica, lobo-guará, o gato-do-mato, o macuco e o veado-campeiro. Está numa zona de transição de cerrado para mata atlântica, localizada entre Belo Horizonte, Nova Lima, Ibirité e Brumadinho.

Em Belo Horizonte, o encontro de três corpos de saguis no Parque das Mangabeiras ocasionou o fechamento da unidade de preservação e lazer, do seu mirante e também do Parque Municipal da Serra do Curral no fim do ano, uma vez que as matas desses espaços são comunicantes. Um exame confirmou que o primata morreu devido à febre amarela. No início do ano passado, a unidade foi fechada pelo mesmo motivo, em 23 de fevereiro, e só reaberta 120 dias depois.

Em Juiz de Fora, o Parque Museu Mariano Procópio também está fechado depois que macacos foram encontrados mortos. Os animais foram encaminhados para análise em Belo Horizonte. A visitação está suspensa por pelo menos 30 dias.

ALERTA Outros parques do estado estão sendo monitorados. De acordo com o Sisema, ao menos quatro unidades estaduais estão em alerta por causa da proximidade com locais onde houve mortes de macacos. Três delas estão na Grande BH: Estação Ecológica do Cercadinho, entre BH e Nova Lima; Parque Estadual Serra Verde, na Região Norte, e Parque Estadual da Baleia, na Região Leste. “Os macacos não transmitem a febre amarela a humanos, mas a morte deles é um indicativo da circulação do vírus. Orientamos a população dessas regiões que procure um posto de saúde e atualize o cartão de vacina”, informou, por meio de nota, o Sisema. Além delas, o alerta também foi ligado no Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José, na Região do Campo das Vertentes.

O monitoramento também é feito no zoológico de Belo Horizonte. De acordo com a assessoria de imprensa da Fundação Zoo-Botânica, equipes de veterinários fazem inspeções para bloquear a doença. Nenhum indício foi encontrado no local, que está aberto para a visitação. No ano passado, segundo a Fundação, alguns animais tiveram que ser isolados devido ao risco da febre amarela. Medida que não precisou ser tomada em 2018.

Estado de Minas

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