A derrota por 4 a 2 para o Racing, na Argentina, e o empate sem gols com o Vasco, no Mineirão, dificultaram a vida do Cruzeiro no Grupo 5, considerado o ‘da morte’ na Copa Libertadores de 2018. Mas para manter aceso o sonho do tri, o time celeste precisa superar os percalços e seguir vivo na disputa. Nesta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), o desafio é contra a Universidad de Chile, no Estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago.
Foi no local do encontro com a La U que o Cruzeiro escreveu uma de suas inúmeras páginas heroicas e imortais. Em 1976, o time venceu o River Plate por 3 a 2, com gol de falta do ponta-esquerda Joãozinho aos 43min do segundo tempo, e conquistou seu primeiro troféu na Libertadores. É nesse estádio que a equipe de Mano Menezes, mais de quatro décadas depois, tentará a arrancada rumo às oitavas de final da competição.
Se depender do histórico de partidas no Estádio Nacional, o Cruzeiro pode se dar bem nesta quinta-feira. Por duas vezes, a própria La U sucumbiu diante da Raposa. Pelas oitavas de final da Copa Libertadores de 2009, o time venceu a Universidad por 2 a 1, gols de Soares e Marquinhos Paraná – Villalobos descontou para os chilenos. Já em 2014, pela fase de grupos do torneio, o zagueiro Bruno Rodrigo e o lateral-esquerdo Samudio anotaram os tentos celestes no triunfo por 2 a 0. Considerando os duelos de modo geral, o retrospecto é totalmente favorável aos brasileiros: quatro vitórias em quatro jogos, com 10 gols marcados e apenas dois sofridos.
Do último embate entre Cruzeiro e Universidad de Chile, os remanescentes do lado da Raposa são o goleiro Fábio, o zagueiro Dedé e os volantes Henrique e Lucas Silva, enquanto o goleiro Johnny Herrera e o meia Lorenzetti aparecem como ‘velhos de casa’ da La U.

Outro alento é que a campanha do bi, em 1997, começou com derrotas nos três primeiros jogos, para Grêmio, Alianza Lima e Sporting Cristal. No ‘returno’, a Raposa bateu os três adversários e avançou em segundo do Grupo 4, com nove pontos. No mata-mata, superou El Nacional-EQU (oitavas), Grêmio (quartas), Colo Colo-CHI (semifinal) e Sporting Cristal (final).

Mudanças?

O técnico Mano Menezes treinou a equipe do Cruzeiro longe dos olhares da imprensa. Embora tenha ressaltado que só divulgará a escalação no vestiário do estádio, o comandante considerou a possibilidade de ajustar o posicionamento da equipe. Mudanças não estão descartadas, com os meias Mancuello e Rafinha podendo ingressar no time.
“Quanto à formação, vamos liberar uma hora antes do jogo. No sábado passado, liberei antes, e não deu sorte, então penso que devo manter um padrão. Independentemente de nomes, o posicionamento em campo será diferente do que estamos fazendo. Não podemos sacrificar jogadores que têm características de atacar e que eventualmente podem jogar pelo lado para defender em cima de jogadores que jogam na ala e que adiantam muito no campo. Baixar muito as linhas num jogo fora de casa nunca termina bem. Você dá iniciativa aos mandantes, que estão com o apoio dos torcedores. É um jogo em que se estabelece uma característica de 180 minutos. Jogamos 90 minutos aqui, e na semana que vem vamos jogar mais 90 minutos na nossa casa. Então é saber entender isso e, acima de tudo, saber jogar bem e jogar melhor do que jogamos no último jogo”.
Lanterna da chave, com um ponto e dois gols negativos de saldo, o Cruzeiro precisa vencer por dois gols de diferença para superar a própria Universidad de Chile, que está em segundo lugar, com quatro pontos e um gol de saldo.
No domingo passado, a La U foi derrotada em casa pelo Colo Colo por 3 a 1, em jogo da nona rodada do Campeonato Chileno. O resultado fez o time perder a liderança para a Universidad Católica (24 pontos a 21) e gerou revolta por parte dos torcedores, que chegaram a queimar uma camisa com o nome do lateral-esquerdo Beausejour. Apesar da pressão do outro lado, Mano Menezes descarta ‘facilidade’ para a Raposa.

“São coisas completamente distintas. Não temos que pensar nos problemas que os outros têm. Temos que olhar para os nossos (problemas). São adversários que vivenciaram todos os tipos de problemas e sabem que precisam dar resposta nos jogos seguintes. Nós é que não podemos permitir que eles reajam. Não haverá facilidades, será um jogo grande, difícil, temos que ter ambição e postura. Só se ganham jogos grandes quando temos equipes com esse tipo de comportamento”.

Adversário
A Universidad de Chile tem jogadores experientes em seu grupo. Alguns deles acumulam passagens longas pela Seleção Chilena. São os casos do zagueiro Gonzalo Jara, do volante David Pizarro, do lateral-esquerdo Jean Beausejour e do atacante Mauricio Pinilla. Este último ficou marcado por chutar uma bola no travessão no minuto 119 da prorrogação do jogo entre Brasil e Chile, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014.
Para encarar o Cruzeiro, a La U não deverá contar com Jara, que está machucado. A tendência é para a entrada do brasileiro Rafael Vaz, emprestado pelo Flamengo até dezembro. Na frente, o jogador a ser contido pela defesa cruzeirense é Yeferson Soteldo, de 20 anos. Habilidoso e veloz, o venezuelano foi oferecido há algum tempo à diretoria celeste, que não avançou no negócio por já contar com muitos atletas de características semelhantes no elenco.

O outro jogo do Grupo 5 será às 19h15 desta quinta, entre Racing e Vasco, em Avellaneda (ARG).

UNIVERSIDAD DE CHILE X CRUZEIRO

UNIVERSIDAD DE CHILE
Johnny Herrera; Christian Vilches, Rodrigo Echeverría e Rafael Vaz; Matías Rodríguez, Lorenzo Reyes, David Pizarro e Jean Beausejour; Angelo Araos; Mauricio Pinilla e Yeferson Soteldo
Técnico: Ángel Guillermo Hoyos
CRUZEIRO
Fábio; Edilson, Dedé, Leo e Egídio; Henrique e Ariel Cabral; Robinho (Rafinha), Thiago Neves e Arrascaeta (Mancuello); Rafael Sobis (Sassá)
Técnico: Mano Menezes
Motivo: 3ª rodada do Grupo 5 da Copa Libertadores
Local: Estádio Nacional Júlio Martínez Prádanos, em Santiago (Chile)
Data: 19 de abril de 2018 (quinta-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Victor Carrillo (FIFA/Peru)
Assistentes: Jonny Bossio e Raul Lopez Cruz (Peru)
Estado de Minas

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